segunda-feira, 20 de abril de 2009

Os Muppets e o Brasil ( Bruno Peron Loureiro )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Bruno Peron Loureiro ( analista relações internacionais ) :: 31/03/2009


Nenhum outro programa de televisão, por mais mirabolante que seja, despertou-me tanta atenção e encanto como a série “Os Muppets” ou “The Muppet Show” do nome original. Sempre me apressava para sintonizar o canal e vislumbrar os novos episódios na minha infância. Punha a almofada no chão e me acomodava nela.

O atrativo era a combinação entre bonecos e seres humanos na mesma cena, que usurpavam o mundo um do outro e confeccionavam uma interação inovadora naquele momento. Fantasia e realidade, imaginação e concretude se confundiam com a atuação dos personagens Caco, Piggy, Fozzie, Gonzo, Animal, entre outros.

E o que esta série tem a ver com o Brasil se nem havia sido criada aqui? O paralelo que traço parte do cenário realista pressagiado por uma professora de português que tive, aos catorze anos, ao afirmar diante dos alunos em uma de suas digressões: “Vocês vão ver cada coisa lá fora...”. Nunca mais esqueci este alerta. Ele teve impacto. A escola é um ambiente de harmonia artificial entre fantasia e realidade. Mais ainda na infância. O que prescrevem as apostilas são frases soltas sobre um mundo em conflito permanente.

A vida lá fora confirma a digressão da minha professora. Penso, entre outras injustiças que se celebram com indiferença, nas desigualdades que assolam o país e no contraste temporal em que vivem os segmentos sociais. Basta percorrer as periferias de cidades médias e grandes para notar a falta de infra-estrutura, o desemprego, o abandono, o significado do racismo e a desinformação. Realiza-se nelas o sonho de possuir carros que há vinte anos somente eram acessíveis a poucos, entre outros bens de consumo que dão a aparência de democratização quando saem de moda e se desvalorizam. Dois mundos que se imbricam.

Os avanços tecnológicos e o liame da modernidade tardam para alcançar as maiorias. Um dirige o carro do ano, enquanto outro limpa seu pára-brisa no semáforo e guarda-o contra furtos. A escola privada é para a minoria, enquanto os demais assistem à deterioração da pública, entre outros prejuízos que tem sofrido a garantia coletiva. O sonho de consumo de alguns é praxe para outros. Dizer somente que o Brasil está dividido em regiões é reducionista. O país, em vez, é um arquipélago de vidas que se encontram casualmente, mas não se reconhecem. Os Muppets representam este jogo entre dois universos. Boneco e realidade. Riqueza e pobreza. Inclusão e exclusão.

Eu gostava tanto da série, que até me presentearam um boneco do Caco, que é o que tem forma de sapo. O encanto me obrigou a guardá-lo de recordação. Tenho-o até hoje. Porém, o uso excessivo naquele momento, o desgaste do tempo, o reconhecimento da realidade e o desencanto de Caco com o que ia encontrando fê-lo perder os olhos, sofrer uns arranhões, torcer um braço, emagrecer por perder muitas bolinhas de isopor que o preenchiam. O eco da realidade e seu arquipélago o extenuaram. Ainda assim ele resiste. E o Brasil não perde a esperança.

Casas fantasma ( Pedro Cardoso da Costa )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Pedro Cardoso da Costa ( Bacharel em Direito ) :: 29/03/2009


Funcionários fantasma é mais comum do que verdadeiros. Contas fantasma nem se fala. O fantasma no Brasil predomina. É o único país onde fantasma existe de fato. Agora, o plano de um milhão de casas para solucionar um déficit de 8 milhões é a coisa mais fantasma que já apareceu no Brasil, principalmente, pelo tamanho dele.

De novo, a imprensa não questiona como criar mecanismos para bloquear o crescimento do déficit e continuar com uma redução gradativa até zerar. Todo debate ficou na cantilena do um milhão, um milhão... sem definição do onde virá o dinheiro total, sem regras definidas, sem critério de escolha de quais estados e cidades serão beneficiados e nem sequer com um terreno acertado. Desta vez é o próprio governo que patrocina casas no espaço.

Um lançamento além de pomposo. Autoridades presentes; muita discussão sobre nada e análises sobre nenhuma base efetiva. Retórica que faz parte da cultura nacional de resolver todos os problemas com escritos em papel. Ora numa lei, numa resolução ou num projeto. Agora o presidente avançou. Nem papel. É mesmo a construção verbal de um Milão de casas.

Depois do lançamento, nenhuma autoridade ousaria mencionar um local onde estivesse um projeto de compra; nem uma construtora habilidade; nenhuma licitação. Nada, absolutamente nada de concreto. Mas todos os jornais gastaram manchetes com esse fabuloso plano de moradia.

Como regra, a primeira necessidade de moradia decorre da formação de família desestruturada. Uma ou outra pessoa mora sozinha, mas geralmente por escolha subjetiva e essa pessoa consegue a casa sem necessidade de amparo estatal. Grande parte dos oito milhões precisa de moradias governamentais porque constituiu família sem nenhuma estrutura. Caberiam aos governos, todos, projetos efetivos de planejamento familiar, com linguagem incisiva e permanente sobre a necessidade de criar estrutura material mínima, como moradia e emprego, antes de formar uma família. Ou o Estado secará gelo eternamente. Constrói um milhão, enquanto surge a necessidade de mais dez. E o déficit só crescerá.

Coroou o vácuo desse bolo a menção do presidente de que não há prazo para entrega. Trata-se do único acerto. Não poderia haver previsão para entrega de nada. Os assessores do presidente Lula deveriam orientá-lo a evitar esse linguajar simplório e, às vezes, sem sentido. Esse desprezo à inteligência geral fere o bom senso e o cidadão.

Siga esse exemplo do presidente e resolva problemas domésticos. Dê um apartamento, um astra novo, um barco, e até um helicóptero aos filhos. Logo eles quererão saber quando vão receber. Responda que seria no dia que o presidente definisse prazo para a entrega da casa de número um milhão. Eles preferirão presentes mais simples com prazo de recebimento.

A razão do vandalismo (Bruno Peron Loureiro)


Crônicas & Opiniões | Fonte: Bruno Peron Loureiro ( analista relações internacionais ) :: 26/03/2009


O que faz alguém praticar atos de vandalismo? Estas ações criminosas partem somente das camadas mais pobres da população? É justo que um indivíduo ou um grupo destrua e manche com o pretexto de que se manifesta a favor de alguma causa? O vandalismo é só aquilo que se pratica contra bens públicos? Existe uma maneira de combater esta prática predatória no Brasil, ainda que contemos com instituições débeis de segurança pública?

A maneira mais eficiente que encontrei para esta discussão é a formulação de perguntas, uma vez que queremos saber o que é o vandalismo, o que induz a praticá-lo e como se reduzem os números desta atividade que provoca o desgosto na população. A intervenção de psicólogos tem sido proveitosa para conhecermos o assunto, porém o desacordo a que chegam é o de que há várias explicações para atos vândalos.

O pichador não costuma ser o mesmo que destrói o assento do ônibus, pois seguem motivações distintas. A definição de vandalismo é difícil de alcançar porque o que é arte para um não passa de depredação para outro. Entre vários exemplos: certas manifestações de pichação ou destruição de janelas de ônibus, monumentos, banheiros e telefones públicos, sinalização viária, lixeiras e pontos de ônibus.

A depredação do marcador de raios ultravioleta na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, RJ; a quebra de lâmpadas de iluminação pública e furto de cabos de cobre em Campinas, SP; rabiscos no metrô em São Paulo, SP; a pichação em monumentos de Curitiba, PR; e a depredação de túmulos em cemitérios de Joinville, SC, são alguns dos atos nefastos que nos fazem indagar sobre o que leva alguém a praticá-los.

A pichação é uma tentativa de transmissão de mensagens privadas em lugares e objetos públicos. O ardor do impulso individual ofusca o interesse coletivo de compreender o significado e usufruir de um monumento, uma praça, ou outra obra e via públicas dentro da proposta de democratização de sua beleza. A pichação desautorizada, entre outros atos de vandalismo, é uma afronta à ordem e ao patrimônio coletivo.

Há um desnível educativo e de propósitos: uns comportam-se como se fossem cidadãos de país desenvolvido, enquanto outros sequer são capazes de jogar garrafinhas plásticas ou embalagens usadas no lixo. O primeiro grupo é capaz de guardá-las para a coleta seletiva, enquanto o segundo atira-las pela janela do ônibus. O vandalismo gera um mal-estar na população e difunde uma imagem denegrida da cidade e do país. Os problemas pessoais de um vândalo não deveriam interferir na relação de outrem com o espaço público.

Governos municipais têm feito campanhas contra o vandalismo. Entre outras medidas, dispuseram números telefônicos para denúncia e mensagens para desestimular as ações. O problema, no entanto, é o desnível de informação que há na população e a dificuldade de tratar cada caso individualmente. Não é só a carência de educação que causa o vandalismo, mas também problemas psicológicos e a afobação de manifestar-se diante da sociedade.

Tudo tem sua razão. O aluno tira nota ruim porque não se prepara para o exame, enquanto falta dinheiro para a educação pública no Brasil pela má alocação de recursos. E o vandalismo? Ainda não descobri sua razão. Se é que a tem.

Diretores da Câmara ( Pedro Cardoso da Costa )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Pedro Cardoso da Costa ( Bacharel em Direito ) :: 21/03/2009


Eis que o Senado se tornou o símbolo máximo atual de malfeitorias na Administração Pública brasileira. Nunca foi nem melhor nem pior do que muitos órgãos públicos. Seus escândalos repercutem mais por ter sempre passado a imagem de uma freira ilibada, quando se tratava de uma mulher mundana. Medidas de moralização só são tomadas, sempre bem aquém do necessário, após denúncias na imprensa. Como a Câmara tem um número muito maior de parlamentares, seria hora da mídia voltar sua fiscalização para aquela Casa. Depois estender às 27 assembléias legislativas e as mais de cinco mil câmaras municipais. O abuso tornou-se cultura nacional e precisa de combate permanente.

Não só as horas extras. Devem ser extintas muitas funções comissionadas, as famosas FCs, reduzir em milhões por cento a quantidade de cópias tiradas por quase a unanimidade dos servidores, abusando delas com seus trabalhos escolares; as compras desnecessárias e supérfluas, o gasto com a manutenção de aparelhos ligados, mesmo quando não são necessários; o consumo de combustível, principalmente nas câmaras municipais. As viagens, que tiveram como exemplo o voo da sogra do governador do Ceará. O utilização constante de aparelhos públicos em atividades particulares, mais comum na área da saúde. Tem mais e muito mais abusos a serem extintos.

E se deve criar um trabalho concomitante, de valor subjetivo. no sentido de elevar o espírito público para evitar que se ache normal usar a máquina pública para interesses particulares. Isso é uma utopia. É sempre a partir dela que as coisas impossíveis se tornam possíveis.

Elementar que o corte deve subir e acabar com as verbas abusivas de uniforme, de gabinete, uma desfaçatez para comerem dinheiro público. Com o caos social brasileiro, os parlamentares deste país são três vezes mais caros do que os franceses, algumas vezes mais do que os americanos e ingleses. Ou seja, se paga caro demais por algo um produto de péssima qualidade.

Embora flagrante o desvio de finalidade ou a malversação do dinheiro público, o Ministério Público Federal não tem sido atuante na fiscalização e no combate a muitos atos desastrados dos demais órgãos. É hora de agir com mais fervor para conter essa sangria deslavada com o dinheiro da viúva. Caberia aos organismos sociais tentar criar meios que permitam à sociedade acompanhar de perto a destinação do dinheiro, bem como a atuação dos seus administradores públicos para ajudar a controlar a sanha dessa gente sem pudor. É hora implementar um choque de gestão eficiente e um basta em tanta mordomia desnecessária em toda a Administração Pública brasileira.

A saúde e a imaginação ( Bruno Peron Loureiro )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Bruno Peron Loureiro ( analista relações internacionais ) :: 19/03/2009


O dilema da saúde no Brasil apresenta-se entre o Sistema Único de Saúde (SUS), que se deteriora pelo corte de gastos públicos e pressão de lobistas (grupos que influem os servidores públicos a favor de seus interesses), e o sistema privado que, entre outras demonstrações de que a saúde não é objeto de leis de mercado, aumenta o preço dos planos proporcionalmente à idade ou cancela a prestação de serviços para idosos. Esta balança pesa mais de um lado porque, quando o cliente mais precisa, o plano tira o corpo e sobra para o SUS fazer tratamento de doenças para as que aquele não oferece cobertura.

Tive duas motivações para escrever este texto: uma é a leitura de um foro de discussões sobre a saúde pública no Brasil e outra, de um artigo que recomendava aos detentores de planos de saúde usar artimanhas para agendar consultas mais rapidamente, uma vez que o agendamento pode levar meses quando se trata de convênio e ser no mesmo dia quando particular.

A saúde não deveria ser objeto de ganância, lucro e especulação financeira como se tratasse de qualquer produto no capitalismo. Tampouco acredito em concorrência entre empresas de plano de saúde como se participassem do mesmo campeonato que produtos banais de supermercado.

Uma coisa é falar de concorrência entre empresas que vendem medicamentos e equipamentos médicos, outra é inserir na mesma esfera de mercado a assistência à saúde e os direitos de acesso a ela.

O risco é o de que jovens saudáveis continuem pagando por planos de saúde quase sem usá-los, enquanto se nega este serviço a idosos que mais precisam dele.

Os discursos do “Programa Mais Saúde” da gestão atual de Lula, como os de equidade, integralidade e universalidade do acesso à saúde, ocultam os conflitos entre o interesse público e o dos planos privados, hospitais e médicos insatisfeitos com os salários. Estes discursos residem na terra da imaginação.

Não será um pequeno grupo de burocratas que controlará como deve ser a saúde no Brasil, pois concentraria as pressões de setores interessados em corrompê-lo e as decisões não partiriam de um diálogo democrático.

Proponho o fim gradual dos planos de saúde sem o qual dificilmente se juntarão forças para lutar por uma saúde pública eficiente e para todos. Os cidadãos que têm melhores condições de pressionar a favor da melhora do SUS hoje se iludem de resolver seus problemas por meio dos planos privados.

A idéia é a de atribuir legalidade somente a empresas públicas, e várias de modo que haja concorrência, atuando no setor de saúde e reguladas por agência estatal.

Desta maneira, os impostos poderão baixar e o Estado continuará oferecendo serviços de saúde, mas sem o objetivo do lucro voraz, e com a perspectiva de melhor qualidade e eficiência. Seria um equilíbrio entre burocratas e empresários da saúde, ao contrário de deixá-la somente nas mãos do Estado ou do mercado. Na terra da realidade.

Um antro! ( Pedro Cardoso da Costa )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Pedro Cardoso da Costa ( Bacharel em Direito ) :: 17/03/2009


“Cova funda e escura. Lugar de corrupção.” São definições do dicionário Aurélio, que define bem no que seria o Senado brasileiro hoje. A primeira seria a correta, a segunda, figurativa.

Há pouco tempo era seu presidente, Renan Calheiros, que não conseguia explicar o padrão de vida com o salario que recebia. Até que um gado de ouro deixou tudo às claras.

Em fevereiro, com um passado apenas de veterano na política, onde ocupou o cargo máximo por cinco anos e não resolveu problema nenhum, José Sarney foi eleito o mais novo-velho presidente da Casa.

Depois, foi a vez de Fernando Collor, de cujo passado nenhuma alma consegue esquecer, ser eleito presidente da Comissão de Infraestrutura para zelar pelo gasto de bilhões de reais. Muita gente teve pesadelo com a imagem daquele seu tesoureiro tão límpido quanto a água do rio Tietê em São Paulo. Não deu para esquecer nem da aquisição de umas calcinhas pela ex-primeira-dama. E a imprensa deveria ter rediscutido tudo que envolveu o ex-presidente da República, único legalmente expulso na história brasileira, e um dos poucos no mundo.

Ainda tiveram as denuncias do senador Jarbas Vasconcelos. E o coroamente veio com o pagamento de mais de 6 milhões em horas extras para servidores no período de férias. Essa medida que corroborou com uma posição de Diogo Mainardi que dizia do prejuízo que traz ao Brasil quando os congressistas trabalham.

Como sempre nessas ocasioes, logo o responsável direto explicou que fora tudo pago na mais ampla legalidade. Sempre é assim. Ao Exceleentíssimo devem ser lembrados os Princípios Constitucionais básicos que norteiam a Administração Pública, principalmente o da moralidade. Outro café requentado nos meus comentários é que nenhum ato adminitrativo pode ser legal se for imoral. E estas horas extras são flagrantemente imorais. Isso tudo ocorre devido ao comodismo da nação, e por que já se aceita tudo como natural na política, devido à nação está vencida pelo cansao e pela repetição de atos abomináveis como estes. Ninguém usa o telefone geral do Senado, 3303-4141, nem os email dos senadores, nem o sitio www.senado.gov.br. Muito menos aparece um protesto por uma organização sindical, conivente, em função do favorecimento aos servdores. Também nenhum renomado se manifesta. Ninguém ouve a mais nova versão de Deus em carne e osso, Pelé; nem Zico, Mãe Dinah, Xuxa, um bispo, um guru, ou seja lá quem for. Nenhum senador se manifestou contra. Nem Suplicy! A bandalheira foi geral. E a imprensa nem sequer fez mais aquela comparação de quantos carros populares seriam comprados, quantas casas próprias seriam construídas com essa montanha de dinheiro, ou, em notas de cem reais, quantas voltas daria ao mundo.

O Ministério Público federal tem o dever de mover ação, ao menos, para apurar improbidade administrativa, senão possíveis crimes.

A nação brasileira tem que exigir a devolução desse dinheiro e a extinção definitiva das práticas dissimuladas para comer dinheiro público. Nada explica o pagamento de tanta hora extra. Que se adeque o serviço ou se contrate servidores. Essa mamata, e outras dessa natureza, tem que acabar.

Plagiando Janio de Freitas, a fossa não para de transbordar, mas a limpeza nunca vem; ao contrário do que afirmou o fantástico colunista. E que lembrança involuntaria daquele senhorzinho que sujou sua bengala em Zé Dirceu! Com ações como esta, a definição de lugar de corrupção torna-se inerente. Mas, no caso do Senado, tem o sentido que as pessoas comuns dão a lugar onde, além de corrupção, inspira desrespeito, vileza, prostituição, baixeza. É isto. O Senado está prostituto. Tornou-se um antro.

Minha querida maezinha! ( Mauricio Martins )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: :: 15/03/2009


Sou daqueles que detesta a hipocrisia, prefiro ser autentico, mesmo que certas pessoas não aceitem minhas “verdades”, por isso, ao invés de falar da vida dos outros, prefiro falar da minha.

Lendo o livro de Augusto Cury, “ Maria, a maior educadora da História”, uma imensa saudade abrasou meu coração. E veio à minha memória, a figura de minha querida mãezinha, Rita Martins da Silva, (que neste domingo, 15 de março completa 75 anos).

No livro o autor nos revela a grande coragem de Maria, que aceitou participar do sonho de Deus, o qual se tornou seu próprio sonho, pois, antes de casar com seu esposo José, ao receber a visita do anjo Gabriel e aceitar a proposta de Deus, de conceber do Espírito Santo o seu filho, que vinha para libertar seu povo e por extensão toda a humanidade. Ela não hesitou do convite, mas, Maria teve medo de ser apedrejada (era costume da época), afinal, quem naquela aldeia entenderia a sua gravidez? Como explicar o inexplicável? Que parente a acolheria? Que amiga lhe daria ouvidos?

Qual religioso a entenderia? Maria, não era filha de sacerdote, mas sua relação com Deus era estreita, íntima, ultrapassando o limite da religiosidade. Maria cresceu numa nação em conflito, onde a miséria fazia parte do traçado existencial das pessoas. Roma dominava os povos com tributos pesados, onde o povo trabalhava mais e mais para saciar o luxo do Império e a vaidade do César.

Portanto, Jesus, nasceu neste mundo de miseráveis, excluídos da sociedade e da sua fé, abandonados a própria sorte, mas sem perder a esperança na vinda do Salvador. Com certeza não foi nada fácil Maria educar seu filho Jesus, para ser autor da sua própria história. Maria como toda a mãe curtia seu filho a cada momento, Ela ensinava e aprendia muito, onde a mãe descobria o filho como Ele era, e o filho descobria a sua mãe carinhosa, protetora e bondosa, a casa de Maria era uma escola viva, onde as emoções borbulhavam, a cada nova descoberta de experiências excitantes e assim formou o homem Jesus.

Há 52 anos atraz, também não foi diferente pra uma jovem de 22 anos no interior do Pará, mas precisamente na cidade de Bragança, a chamada mãe solteira, dar à luz ao seu filho, educá-lo com todas as dificuldades de sua época, para este menino, um dia ser um homem de caráter, cumpridor de seus deveres e obrigações.

Quantas vezes, quando ela reclamava de uma pequena dor de cabeça, Eu, criança pedia ao papai do céu pela sua saúde (e ainda faço até hoje), pois tinha medo de perdê-la, imaginava o que seria de mim sem o seu carinho, o seu amor. Minha mãe foi tudo pra mim, às vezes pai, irmã e irmão, meu porto seguro, minha verdadeira inspiração para lutar pelos meus sonhos e objetivos de um dia constituir minha própria família.

Com certeza, foram dias difíceis e horas árduas de trabalho e incertezas sobre meu futuro neste mundo cão, mas graças a Deus e a ti mãe, consegui superar a tudo com muita fé, dedicação e amor.

Mãe, me embala no teu colo, me faz dormir!
Pois dos teus braços fortes, eu nunca esqueci!
Quero voltar a ser criança, teu lindo bebê!
Obrigado meu amor e perdão, se te fiz sofrer!

Ps: - Esta crônica dedico a você mamãe, mulher de fibra e muita coragem. Feliz Aniversário.

Dia do olho roxo ( Pedro Cardoso da Costa )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Pedro Costa Cardoso ( Bacharel em Direito ) :: 09/03/2009


Parece daquelas brincadeiras de mau gosto, mas não é. Trata-se de definição de uma delegacia da mulher fazendo referência à segunda-feira, dia de maior incidencia de espancamento pelos companheiros, maridos, amantes e namorados. Parece uma brincadeira, pois é colocada como se fosse uma coisa normal do cotidiano. Não é. Quem espanca qualquer pessoa comete crime, e quem comete crime é criminoso. Toda discussão correta tem que começar deste ponto. De outra forma é distorção.

Quando a decantada lei Maria da Penha foi aprovada como solução da violência contra mulheres, discordei e mencionei em artigo a ressalva de que se tratava de lei mais benéfica do que o Código Penal. E lei penal mais benéfica é obrigatória a sua aplicação. A lei especifica a pena mínima de três meses. O Código Penal prevê dois anos, quando a agressão causa deformidade permanente (art. 129, § 2º, IV). Mulheres com partes queimadas dos corpos, com pedaços arrancados ou com imensas cicatrizes são o que se vê todo dia na televisão e nas delegacias. Alguém precisa explicar a diferença da deformidade da mulher espancada pelos companheiros de outra causada por um estranho.

Além disso, vários outros artigos podem ser aplicados, No meio de tanta violencia há tipicidade de crimes como cárcere privado, extorsão de bens, abortos provocados em decorrencia das agressões, abuso do pátrio poder e a maioria poderia ser tipificada como tentativa de homicídio, já que muitas mortes não se concretizam por interferência de terceiros. Essas agressões vem para fazer as mulheres calares sobre condutas reprováveis como traição, namoro, bebedeiras, jogos e outras incompatíveis com a vida conjugal. Também se deve ressaltar que os agressores se aproveitam de suas condições de brucutus contra frágeis mulheres. Em grande parte são covardes incapazes de levantar a voz contra outros de seu porte e descarregam suas frustrações sobre aquelas a quem deveriam protegê-las.

Não podem ser amenizados pela relação de parentesco. Caso arrancassem pedaço de um vizinho seria crime. Aceitar que pode tirar pedaços da esposa, da companheira é dá um atestado de impunidade sobre um crime covarde e hediondo. E de ação pública, o que não permitiria direito de perdão pela vítima.

Deixar a defesa por conta das próprias vítimas é não querer enfrentar o problema como se deve. É simplificar demais. É facilitar a ação desses brucutus, toscos e torpes. As mulheres sofrem primeiro o domínio psíquico. Não tem forças para se defender sozinhas.

Há algum tempo o ator Kadu Moliterno agrediu a esposa. A rede Globo, ao menos, poderia ter expedido um manifesto de repúdio e não permitir trabalhar como ator. Essa permissão ajuda a passar a ideia de que alguns podem agredir sem punição. E não vale a máxima de que o pessoal é separado do profissional. Não é e não deve ser. Pois o comedimento vem em função de possíveis punições.

Todo os órgãos públicos, o Ministério Público, a sociedade em geral, as instituições de voluntários precisam se unir para criar mecanismos efetivos de defesa às vítimas.

Já as mulheres precisam tomar a iniciativa de sua própria defesa, já que são elas que sofrem as torturas. Generalizar o conceito de que agressão física jamais será aceita. Só colocar letras em papel, chame-se isso de lei, nada resolve, conforme comprovado pelo aumento de assassinatos de mulheres pelos companheiros. Quem causa lesão corporal ou agride é bandido e como tal deve ser severamente punido.

Parabéns a todas as mulheres bragantinas neste dia da Mulher


Crônicas & Opiniões | Fonte: Madson Oliveira ( Editor do Correio ) :: 08/03/2009


HOMENAGEM DO JORNAL ON LINE CORREIO BRAGANTINO AS MULHERES BRAGANTINAS.

Hoje, não quero ser a mulher forte, com atitude de leoa, sedutora, aquela que luta, defende, conquista, consola, abriga...

Hoje, eu quero deixar que a mulher sensível, delicada, romântica, frágil... seja vista e sentida!

Quero um carinho, um abraço, um colo... Quero braços que me envolvam protejam, abriguem. Quero um corpo onde possa me aconchegar; um ombro para poder chorar, uma mão que acaricie meus cabelos, olhos que vejam as lágrimas cairem no meu rosto quando falo dos meus medos ...

uma boca que me diga palavras de ânimo e esperança e que me beijem com amor e carinho! Quero olhos que vejam minha fragilidade, que me admirem por ser delicada e que não desejem que eu tenha que ser sempre forte! Quero ser admirada, notada, e quero que me queiram por também ter um lado frágil.

Quero que me admirem por ser mulher na sua essência, não só o lado leoa, mas o lado beija-flor e também flor! O lado que necessita do outro que também precisa receber! Quero hoje... a fragilidade de ser MULHER!!!.

Crise da criatividade ( Bruno Peron Loureiro )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Bruno Peron Loureiro (analista relações internacionais) :: 03/03/2009


Chegamos a um momento de crise da criatividade, que se deu após a turbulência de idéias dos séculos anteriores, em especial, das últimas décadas. O que não quer dizer, porém, que é o fim do ser criativo ou que já não é possível mais criar, uma vez que o processo continua ainda que paulatina e surpreendentemente. Parto da premissa de que a criatividade não é a mesma coisa que acúmulo de conhecimentos: aquela tem a ver com a fluidez da imaginação e o uso da inteligência, enquanto este se refere simplesmente ao depósito de informação.

Vamos para os argumentos. As eleições passadas formaram coleções de discursos políticos clichês ou que repetem como papagaio os de décadas ou até séculos atrás se levarmos em consideração os sistemas políticos de vários países. O mais grave é que as propostas, quando existem, quase sempre se amparam em princípios implantados em outro contexto e importados por nosso país sem que se considere necessariamente a realidade em que vivemos. A menos, é claro, que se proponha construir uma ponte ou uma creche em tal bairro, e aqui alguns supõem que haja criatividade.

É cada vez mais profusa a cópia de trabalhos intelectuais ou obras artísticas por preguiça de um suposto criador. Os filmes que passam nos cinemas exigem um cuidado especial para que não se confunda ficção com realidade, embora o mesmo autor esteja em vários deles ou pressuponhamos que se trate de criação. Os de terror dificilmente saem dessa de casa amaldiçoada ou de mitificação do desconhecido; os de aventura trazem atos heróicos, quando não sensacionalistas, de final feliz; e o de histórias de amor às vezes recheiam com algum problema atual para parecerem criativos.

Comentei de idéias que se oferecem como propostas para a regulação da nossa situação política e social, de um gênero de indústria cultural que são os filmes, e acrescento que na televisão ocorre um processo semelhante de crise da criatividade, mas que se faz passar por novidade. Um programa tende a imitar o outro em função da audiência. Desde as pegadinhas até os “reality shows”, que passaram por Europa e Estados Unidos e logo apareceram em “Casa dos artistas” e “Big Brother Brasil”, com todas as suas edições anuais. O mesmo com o “American Idol” estadunidense, que inspirou o “Ídolos” brasileiro. E faz sucesso.

Ao “Se vira nos trinta” do Domingão do Faustão, contudo, dou-lhe crédito como incentivador das manifestações populares de criatividade. Até mais do que atribuo às novidades da Polishop e de outras empresas, que de tão estapafúrdias acabam sendo opções criativas para os consumidores que querem produtos de limpeza mais eficientes, televisores que cabem na palma da mão ou acessórios de ginástica e fortalecimento muscular que fazem todo o trabalho enquanto o usuário está relaxado, entre os portáteis e que ocupam menos espaço. Poderíamos achar que a criatividade não está tanto em crise porque nos tornamos mais exigentes. Queremos o mesmo, mas em nova roupagem.

O brasileiro é muito criativo, diverso e inteligente, porém aguarda passivamente que alguma instituição o promova sob risco de que sua criatividade fique mal representada. E é o que acontece na maioria dos casos. A crise a que mais me refiro é a de domínio oligopólico das indústrias culturais e comunicacionais, que, em função do lucro e da ganância, acabam limitando a criatividade do ser humano. Logo, se não está na tevê, ninguém vê, ninguém escuta, ninguém sabe. Assim se alimenta o estancamento da criatividade e difundem-se impressões e registros de um mundo ditado por poucos.

Um olhar atento ao que o mundo já criou sugere, no entanto, que estamos num momento de crise da criatividade. Por mais que cada ser humano seja único e original (que gêmeos são completamente iguais?), o que parece faltar é a mobilização dos elementos que fazem da nossa realidade distinta e, portanto, autêntica. Deve haver algum jeito de continuar criando, ainda que não seja artista ou cientista. Nem todo criador o é dentro de uma profissão. O lado direito do cérebro é associado à criatividade. Quem sabe uma massagem neste hemisfério o reacenda.

Garçom ( Ronaldo Duran )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Ronaldo Duran ( ronaldo@ronaldoduran.com ) :: 26/02/2009


Peguei carona. Desço, atravesso a Avenida das Nações Unidas. À entrada do restaurante, as mãos ocupadas com os livros, me esforço para cumprimentar o pessoal. Corro para o quartinho. Sim, tô atrasado. A aula de anatomia me pegou. E nem dava para sair mais cedo: eu estou meio enroscado. Preciso melhorar as notas. Estou me aplicando o máximo. Primeiro, para o conhecimento entrar na caixola; segundo, para exibir uma pose de comprometido com a aula, isto conta ponto com a mestra. Nem pense me deixar mais numa dep, professora. Eu preciso fechar este semestre melhorzinho, se não corro o risco de não concluir o curso de Fisioterapia em quatro anos.

Nem gasto muito tempo na troca de roupa. Quando a disciplina é mais laboratório ou em sala de aula, vou vestido de calça, sapatos, meia pretas. Aqui, apenas troco a camiseta pela camisa branca e a gravata.

“Ei, boa vida”, disse o maître rindo assim que me aproximo do caixa, “leva o prato da mesa 28”. E lá fui eu. A fome me roendo o estômago. Complicado, antes de começar a trabalhar eu sempre janto. O dia que chego mais tarde, contudo, o horário de janta coletiva já se encerrou e a turma está no maior alvoroço. Claro que eu como depois. Basta escapulir para o interior da cozinha, e com cara de pidão, conseguir meu prato com o cozinheiro zombador.

Que absurdo! Na hora que fui cortar o bife a cavalo da mesa 28, o treco escapou e foi parar no chão. O maître corre. Pede desculpa. E providencia outro prato na cozinha. “Que mancada!”, me adverte. “Talvez por que não jantei”, respondo. “Tá, então vá jantar”. E sigo para cozinha. Sei que este episódio consumirá a semana toda como lenha para zoarem comigo.

Ela chega, e com ela desperta minha paixão adormecida. A gerente. Sim, parece romance. Eu daria tudo para depositar um beijo em seu rosto. Não faço às vezes de patinho feio. Sou despojado. Até trocamos idéias legais. Sinto, porém, que ela me trata como um subalterno, que minha paixão é unilateral.

Sou grato por ela existir, e estar aqui perto de mim. Por causa dela eu experimento essa sensação gostosa. À noite, na minha república solitária de fim de semana, quando estou estudando, penso nela, em seu rosto, no seu modo de desfilar quando anda, no jeitinho de falar. Faz-me companhia sua imagem bailando em minha mente.

Vamos torcer que a caixinha hoje seja mais gorda. Preciso pagar a apostinha de Fisiologia III, além de comprar um tênis decente para as aulas de educação física da quinta-feira de manhã. Eu vou trampar com vontade, e espero que os clientes e suas gorjetas me sorriam.

Seja diferente! Mas seja você mesmo! ( Mauricio Martins )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: :: 22/02/2009


Não! Não sou psicólogo, mas apenas alguém que já foi jovem e hoje é pai de quatro adolescentes, só quero entender um pouco a geração atual, uma juventude que busca nas atitudes e aparências ser diferente (está na moda) para agradar sua galera, mas como ser diferente sem agredir os conceitos da moral e dos bons costumes.Vivemos no Brasil, um país diferente, um lugar, que tem negros, brancos, amarelos, enfim, numa sociedade que impõe valores baseados no ter e no poder, rotulando a tudo e a todos de maneira preconceituosa.

A globalização via Internet, permite um contato rápido com o mundo, onde o modismo imposto pelo consumismo cria conceitos duvidosos, que discrimina os que por algum motivo atendem um perfil correto no modo de vestir, de falar, de se comportar, desprezando os sentimentos, a cultura, os pontos de vista religiosos do individuo. Como também, não aceitam que outros experimentem a diferença, isto implica dizer que, usar tatuagem, piercing, cabelo colorido, falar em código deixa o individuo “esquisito”, um louco, um exagerado, um inconseqüente, portanto, é preciso respeitar as diferenças, olhar o próximo com olhos do coração (ver diferente), pois na verdade, a diferença encontra-se no Eu de cada individuo, na formação moral, no fortalecimento espiritual, na facilidade de amar o seu “irmão”, de ser fraterno e solidário.

Na minha época de garoto, vivenciamos os movimentos “Hippie”e “Brack-power” que pregavam o amor livre, onde o lema era: É proibido proibir. Pregava-se a convivência em comunidades sem noção da barreira entre tempo e espaço, uma juventude sem compromisso, sem obrigação ou deveres, tudo isso aliada à necessidade de paz e liberdade, uma forma de luta contra o preconceito racial na América, a guerra do Vietnam e a ditadura militar no Brasil.Em busca desta liberdade, muitos jovens ficaram cegos e não perceberam que estavam sendo usados, e cada vez mais presos a conceitos errôneos, buscando o prazer pelo prazer, sem descobrirem a verdadeira essência do prazer “a vida”.

O que aconteceu com estes jovens? Boa pergunta meu caro leitor, mas não tenho a resposta, sei apenas que Eu nasci em Bragança no Pará, e, como dizem por lá, “sou um papa-açaí” e sou feliz por ter nascido ali, junto ao rio Caeté, amei os Beatles e curti os Roling Stones, sobrevivi, (embora desde meus dezeseis anos tenha enfrentado uma barra), morando sozinho, estudando para ser alguém (que pudesse um dia construir sua família), sem me prostituir, sem me drogar, sem me corromper, na certeza de que vale apena cultivar os princípios divinos, ser honesto, ter responsabilidades, enfim, ser um “homem”de verdade.

O que devemos passar aos nossos jovens?. Qual herança que eles devem herdar?.São perguntas difíceis de responder, pois, diante de tantas diferenças, não podemos julgar alguém, sem antes conhecê-lo direito. Se faz necessário repensar alguns conceitos, fortalecer certos valores, mas principalmente amá-los como eles são.

Afinal, o Jovem de Nazaré, filho de Deus, que veio ao mundo para anunciar uma nova civilização, viveu de forma simples, contou histórias de lições lindas, realizou belos milagres, ensinou o amor, viveu o amor, é AMOR.

Nota: Esta crônica dedico aos meus inesquecíveis amigos Paulo Vitor Monteiro, Roberto Monteiro, Sanjean Jacó, Juarez, Maria Lair, Regina Célia da escola Professor Paixão, no ano de 1974.

C’est Jolie, La Sociologue ( Ronaldo Duran )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Ronaldo Duran ( ronaldo@ronaldoduran.com ) :: 19/02/2009


Se bocejo é culpa do calor. Pode parecer implicância de europeu, mas não é. A frase o calor está castigando escutei várias vezes nestes três dias em São Paulo. A I Jornada Paulista Sobre Crianças Abandonadas fornece um panorama da realidade brasileira.

Recebi o convite de um de meus ex-orientandos e quis retribuir a gentileza de ter tido vários alunos brasileiros nos meus mais de dez anos de livre docente na Sorbonne. Pesou também a emoção que é visitar a terra dos mitos Florestan Fernandes e Milton Santos.

Definitivamente, o calor me amolece.

De repente, ela se levanta. Caminha para frente da platéia. Sua vez de expor. Ela me toma a atenção de uma forma pouco comum. Não sou assexuado, mas raramente noto o corpo de uma expositora. Levo muito a sério meu trabalho, e que me lembro, jamais faltei com respeito para com minhas colegas de profissão. Mas ela me abraçou a alma. Talvez a pele morena? Ou o gingado do corpo? Quem sabe a sensualidade despretensiosa em sua fala?

Vai ver é culpa de Jorge Amado. Há uns seis meses, adentrei na leitura do genial baiano, caprichoso porta-voz da cultura brasileira, a qual é mistura ímpar entre negro, índio, branco e asiático. Seria a personificação de Gabriela Cravo e Canela a moça que vejo? Esquivo-me do meu tradicional mau-humor foucaultiano, dando um tempo até para o gramscinismo que domina meu pensamento nos dias normais. A blusa vermelha combinado com os delicados sapatos, o penteado simples, a calça que parece cair como luvas em suas belas curvas. Diante dela eu prefiro ser positivista do que negativista.

O Brasil me encanta. Nunca o encarei como turismo sexual. Longe disso. Gosto de sua gente. Simpática, acolhedora.

Estou me sentido mal. Ela se esforçando para apresentar o trabalho científico, que deve ter tomado noites inteiras e, com o incentivo pouco dado no Brasil, dá-se para imaginar como sofrera para formar-se. E eu aqui olhando suas curvas. Sinto-me desonesto. Tento desviar o olhar. Centrar-me nas tabelas estatísticas, na explanação acurada. Que nada. Minha visão é arrastada para ela. A situação é incomoda.

Ela é a Iracema tão bem cantada por José de Alencar. C’est jolie, la sociologue. Obrigado Brasil por brindar a humanidade: a beleza de mãos dadas com a aridez sociológica. La jeune femme, c’est une lune éclatante. Je m’écorche mon coeur. A apresentação terminou. Não ousei olhar para suas nádegas. Quero, sim, guardar a imagem vivaz de sua exposição, sentada ou em pé, esbravejando sobre a injustiça social, sem sufocar seu ser feminino.

Mortalidade Infantil ( Bruno Peron Loureiro )


Crônicas & Opiniões | Fonte: Bruno Peron Loureiro ( analista relações internacionais ) :: 17/02/2009


Há certos destinos, como a morte de algumas crianças até um ano. Refiro-me a um número baixo, uma porcentagem, segundo ocorre nos países mais prevenidos. A fatalidade pode seguir uma ordem que está além de qualquer esforço humano. No entanto, é inaceitável que crianças em idade tão precoce deixem a vida por falta de instrução familiar, condições precárias de saúde, carência de educação e meios para a sobrevivência, entre outras causas que se podem evitar num país mais preparado e justo. A taxa de mortalidade infantil no Brasil, em relação à América do Sul, só não é pior que as de Bolívia e Paraguai.

Estou tratando de um dos indicadores de desenvolvimento humano de um país, entre outros como expectativa de vida, educação e renda. O Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) definem taxa de mortalidade infantil como o número de mortes de menores de um ano de idade a cada mil nascidos vivos num espaço geográfico e ano considerado. Estas instituições associam a taxa principalmente às condições de saúde e desenvolvimento econômico. No indicador de mortalidade infantil, países como Cuba, Argentina, Chile, Costa Rica e México estão em melhor situação que o Brasil.

Soa promissor o discurso oficial de que nosso país alcançará a meta global de reducação da taxa de mortalidade infantil até 2011, portanto antes do prazo estipulado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Esta propôs os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que, entre outros tópicos como a erradicação da fome e da pobreza extrema, a garantia do ensino básico universal e da sustentabilidade ambiental, sugeriu a redução em dois terços da mortalidade de crianças menores de cinco anos entre 1990 e 2015. Atualmente a média brasileira é de 23 óbitos por mil, o que é preocupante para um país deste porte.

O que mais agita os neurônios dos responsáveis pelas políticas públicas neste setor é que alguns estados já alcançaram a meta, enquanto outros estão longe dela e vislumbram-na num horizonte mais longínquo. Há desigualdades exacerbadas entre as taxas das regiões Sul e Sudeste, que são as menores, e as do Norte e Nordeste, que continuam altas apesar dos esforços para reduzi-las e dos avanços. O Rio Grande do Sul tem a menor taxa de mortalidade infantil; Alagoas, a maior. É necessário calibrar a estratégia no setor e concentrar as políticas nos estados onde ela é mais alta.

É idílico o anúncio de que o Brasil passou a fazer parte do grupo dos países de “alto desenvolvimento humano” segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU porque logo se dá conta de que o alarde não implicou melhor inserção do país no mundo nem a extinção de problemas tão rudimentares quanto a fome e a miséria. Ao contrário, o Brasil retrocedeu na classificação de desenvolvimento do qual participam 177 países. O indicador de mortalidade infantil nos exige o questionamento do que fazer para equiparar índices de desenvolvimento de estados que já entraram no século atual e de outros que arrastam vestígios do anterior.

Pensemos num país menos desigual e, antes de que as crianças tenham direito e acesso a boa educação conforme se tem discutido tanto, que elas possam ao menos sobreviver.

O giz do sacrifício ( Sanronald )

Crônicas & Opiniões | Fonte: Sanronald ( san.ronald@hotmail.com ) :: 13/02/2009

Um jovem destemido e bem resolvido decidiu para o desespero de seu clã que seria professor. Sua mãe num retumbante ah! ah ! ah! disparou: “_Alegria de professor somente durante a cerimônia de formatura. O que virá depois será pura ilusão”. O jovem parou por um instante e pensou: “Minha mãe em parte tem razão, mais nem só de anel de grau se enfeita o dedo de um bom professor, mas de muitos calos e pó de giz, adquirido na árdua missão de ensinar e aprender”.

Seu pai foi além: “_Não queira se aventurar, não existe luz no fim do túnel. Lembre-se de Colombo que quando saiu da Espanha não sabia aonde chegaria e quando chegou à América não sabia onde estava. Morreu pobre e, esquecido acreditando piamente ter encontrado o caminho para as Índias”. O jovem parou por um instante e pensou: “Meu pai em parte tem razão, Colombo em seu tempo não teve os flashes dados às ‘bundas televisivas’ que abundam em nosso meio, mas graças à sua ousadia de viajar por mares obscuros desvendou a outros o caminho para o novo mundo”.

Seus amigos de escola o imaginaram em uma promissora carreira médica, além do que seria chamado de “Doutor” O jovem de fato não escondia sua admiração por essa profissão, mas lembrou dos muitos médicos de sua cidade que consultam seus pacientes em hospitais públicos e encaminham-nos a tratarem de suas doenças crônicas em suas clínicas particulares. Houve também quem o visse desenvolvendo atividade forense alinhado em um elegante terno, tendo nas mãos uma linda pasta de couro.

O jovem suou efusivamente e pensou nos muitos advogados do diabo que magistralmente se propõem a defender as possíveis causas dos fraudadores de recursos da educação que movidos por uma atitude nada pedagógica, se apropriam de verbas destinadas à merenda, ao transporte e ao livro didático escolar tão imprescindíveis aos estudantes de seu país. Diante da iminente perda do sentido moral e ideológico de tais profissões o jovem ardeu-se profundamente.

Não convencido, seu clã resolveu submetê-lo ao oráculo de Delfos, para fazê-lo ouvir o presságio da sacerdotisa Pítia que profetizou: “_Meu caro! Estás destinado a passar parte de sua história protestando e reivindicando a reposição do salário justo que nunca terás. Ouvirás os deuses de seu país dizerem: ‘_Reposição salarial só para os nobres do poderes executivo, legislativo e judiciário e a quem mais interessar para o bem do clientelismo público’”.

Apesar dos contras, o jovem continuou firme no seu propósito de ser professor e vislumbrou em sua mente outras cenas da vida real. Lá estavam o cacique Chicão, Chico Mendes, Zumbi dos Palmares, Irmã Dulce da Bahia e Paulo Freire.

E agora o professor decidiu colocar luz no quadro escuro e usar seu próprio giz para educar seu povo.