A Família Como Vai? ( Mauricio Martins )
Crônicas & Opiniões Fonte: Mauricio Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: :: 19/01/2009
Não! Não é um artigo do extraordinário Padre Zezinho do Sagrado Coração de Jesus, mas sim uma crônica para refletimos sobre o nosso papel como família na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.A UNICEF, entidade mundial que pesquisa os diversos segmentos do comportamento humano no mundo divulgou uma pesquisa realizada no Brasil com os jovens brasileiros, constatando que mais de três em cada dez jovens com idade entre 12 e 18 anos já mantiveram relações sexuais e 14,2 % já usaram drogas legais e ilegais, de acordo com os dados da pesquisa divulgada pela Unicef.
A pesquisa entrevistou 5.280 adolescentes em todo o Brasil para mapear o que pensam e como vivem os jovens deste País. A pesquisa concluiu ainda que dos adolescentes que já transaram, mas de uma garota em cada dez (340 mil adolescentes de 12-17 anos tornaram-se mães) já tem pelo menos um filho. Existem mais de 21 milhões de adolescentes com idade entre 12 a 18 anos incompletos no Brasil, destes 50,4% são garotos e 49,6% são garotas. Os adolescentes representam 12,5% da população brasileira, destes 95% consideram a família a instituição mais importante para a sociedade e 61% disseram que brigar com a família é o principal motivo pelo qual costumam ficar infelizes.
No maior País católico do mundo, conforme ainda dados da Unicef, o Brasil possui uma população de 180 milhões de pessoas, dos quais 62 milhões têm menos de 18 anos de idade, é um país de velhos, (dar para comprovar isto nas igrejas de nossa cidade durante a Santa Missa) onde estão nossos Jovens? Recentemente numa paróquia da cidade, nosso Bispo durante a Santa Missa pediu as diversas Pastorais que erguessem a mão confirmando a presença naquela comunidade, quando chegou à pastoral da juventude, fiquei triste com o resultado apresentado.
Mas como mudar este quadro, trazer os jovens pra junto de Deus, pra dentro das Igrejas, só vejo uma saída, a ORAÇÂO.Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família de José e Maria, portanto a Igreja não é outra coisa senão a “família de Deus”, desde suas origens, o núcleo da Igreja era em geral constituída por aqueles que, “com toda a sua casa”, se tornavam cristãos através da conversão. No sermão da montanha, Jesus insiste na conversão do coração: a reconciliação com o irmão antes de apresentar uma oferenda no altar, o amor ao inimigo e o perdão. Ao orar, Jesus já nos ensina, que o caminho teologal de nossa oração, leva ao PAI. Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante. Pois temos uma guerra a combater e a vencer, a guerra contra as drogas, à prostituição infantil e ao aborto.
Pois nosso jovem tem dificuldade em amar verdadeiramente, porque é fácil confundir o amor com egoísmo, sobretudo hoje,quando parte da mídia impões uma visão da sexualidade banal (basta ver os comerciai as de bebidas,roupas, carros, etc.), onde os valores morais são esquecidos, pois tudo parece ser lícito, pode ser concedido em nome da liberdade e da conscientização dos indivíduos.
O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã, é na família que se exerce de modo privilegiado o Sacerdócio Batismal do pai, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, através da recepção dos sacramentos, na oração e ação de graça, no testemunho de uma vida santa, do perdão generoso e do amor, que formamos a verdadeira Igreja Doméstica.
Se Bragança é meu caminho... ( antonio hugo ribeiro da costa )
Crônicas & Opiniões Fonte: antonio hugo ribeiro da costa é professor em Bragança :: 13/01/2009
Espera aí! Bragança continua sendo o caminho dos bragantinos, nada, mas nada mesmo do que fizermos tirará de Bragança o carinho de ser chamada de "porto seguro" dos seus amados. Mas, uma coisa tem me deixado triste, primeiro enquanto bragantino que sou. A Escola MOnsenhor Mâncio Ribeiro (penso que já escrevi sobre ela aqui).
O que era para ser orgulho de todos nós bragantinos, pois segundo estudos recentes e conversas com pessoas ligadas a área da história, esta se constitui a única escola em palacete a funcionar nos estado do Pará. Deveria dizer: que funcionava. Ela está desativada, as pessoas que lá trabalhavam ou estudavam foram colocada provisoriamente em outra escola que também está em péssimo estado.Agora, enquanto educador fico a me perguntar: O que devo fazer? Quais as minhas possibilidades de ver nossa escola no lugar onde sempre esteve, bem no coração da cidade! Como educador posso manifestar minha indignação pelo que está acontecendo.
Conto-lhes um pouco do que sei!!! A Escola em questão foi fundada em 1900, mais precisamente em 24 de fevereiro, funcionava onde hoje funciona o Hotel Alternativo, para quem mora em Bragança ou é bragantino, fica na Rua dA Torre de Televisão.Em 1929 passou para o prédio que hoje se encontra em ruínas. Aqui neste local Bragança viu nascer, crescer e dar frutos quase todas as minifestações culturasis que temos: SEMANA DA PÁTRIA, FEIRA DA CULTURA, FESTIVAL JUNINO, ETC.
O que podemos fazer? Onde estamos falhando? Já fizemos, enquanto funcionário desta escola, de tudo um pouco. Entregamos documentos nas mãos da Governadora, se bem que ela recebeu com muito carinho, mas e os outros? Mandamos vários e vários documentos para SEDUC, FUNDAÇÃO TANCREDO NEVES, SECULT, GLOBO, ORM, desculpem a memória falhou em lembrar para tantas pessoas e entidades para quem mandamos documentos.
Hoje, levantam nossas esperanças de novo. Recebemos mais uma visita de mais uma equipe... Será que dessa vez vai?!!!!Quero estar vivo para isso acontecer, caso contrário estaremos morrendo em coletivo, pois o povo que não tem cuidado com a sua história e não respeita o seu passado está fadado a morrer no esquecimento.
Loja do Vassoureiro
Crônicas & Opiniões Fonte: Bruno Peron Loureiro - é bacharel em relações internacionais :: 09/01/2009
Havia uma loja a meio quarteirão de onde eu morava que era modesta, pequena, usava um espaço improvisado para vender objetos de baixo valor e uso corriqueiro. Lembro-me de que, sempre que me aproximava de lá, estava um senhor sentado num banquinho, próximo da parede, esperando com paciência pelo próximo cliente. Era um lugar com que se podia contar caso a vizinhança precisasse de algum produto e não quisesse enfrentar o supermercado para isso. Atendia a uma necessidade do bairro. Era conhecida como a loja do vassoureiro.
Este tipo de estabelecimento comercial tinha sua razão de ser: surgiu de um cidadão comum e de uma necessidade local. Dava uma resposta comercial sem deixar de atender a um vínculo afetivo com o bairro e os vizinhos. E por falar de comércio, estamos passando por um processo de condicionamento mental sem precedentes com o poder mundial dos Estados Unidos e a indústria cultural que este país dissemina através dos filmes, da música e da programação televisiva, que têm no encanto pela tecnologia o seu principal cúmplice entre os receptores.
Depois da aeroespacial e militar, os Estados Unidos sacam sua maior fonte de renda da indústria audiovisual. Explica-se porque as nossas video-locadoras concentram filmes estadunidenses em quase todas as estantes, dão pouca atenção aos produtos de países latino-americanos, asiáticos e europeus, e chegam a colocar filmes brasileiros em seções de “alternativos” ou “estrangeiros”. Minha cautela em ver filmes estadunidenses dobrou depois que assisti a “O Nevoeiro (The Mist)” e notei uma crítica implícita aos discursos do ex-presidente cubano Fidel Castro no roteiro do filme. A mensagem poderia ter sido contra qualquer outro governante a que os Estados Unidos se opõem.
Achei uma covardia inserir uma crítica política desta maneira quando tudo o que o público espera é divertir-se e não é a primeira vez que me dou conta disso. Há muito tempo os Estados Unidos nos inebriam com seus artifícios estratégicos nos produtos culturais. Para não falar da infinidade de escolas de inglês nas nossas cidades, que são encravamentos imperiais sob consentimento. É praticamente uma obrigação que aprendamos este idioma, ao passo que eles negligenciam o português. O ponto a que quero chegar é que o Brasil carece de políticas consistentes para o audiovisual e outros de seus produtos culturais.
É como se as políticas continuassem sendo elaboradas para o videocassete quando os filmes têm sido vistos em DVD ou “Blu Ray”. É pequena a quantidade de nossa produção audiovisual que chega aos televisores e aparelhos de som de outros países, a difusão da língua portuguesa no exterior é irrisória, sem contar que o Brasil é estereotipado pela inércia de nossa diplomacia cultural. A situação só não está tão ruim no âmbito do Mercado Comum do Sul (Mercosul), mas ainda os vizinhos se conhecem pouco. Os intercâmbios entre os países são muito desiguais e sobra para os cidadãos brasileiros tragarmos isso.
Já estava esquecendo da loja do vassoureiro. Gostava daquele lugar. Lá buscava linha de pipa, bonecos dos Cavaleiros do Zodíaco, produtos de limpeza quando alguém de casa pedia. E as vassouras? Comprava no supermercado em frente.
Novos prefeitos e ações práticas
Crônicas & Opiniões Fonte: Pedro Cardoso da Costa - Bel. Direito ( Interlagos/SP ) :: 04/01/2009
Dia 1º de janeiro 5563 novos prefeitos tomaram posse. Os candidatos eleitos e reeleitos, sem exceção, todos prometeram a solução de todos os problemas durante as campanhas. Depois de leito, os que tiveram mídia já devem ter dito que imaginava a dificuldade. Na posse, a maioria já deve ter certeza de que não cumprirão suas promessas fáceis. Mas isso é uma retórica de uma distorção de fazer política. Ou promete tudo numa fantasia, ou com um discurso real não se elege.
Administrar é priorizar. Uma das principais prioridades deveria ser firmarem um pacto pra extinguirem o analfabetismo formal em 4 anos. Pode não ser possível, mas deveriam tentar, já que se trata de um problema insolúvel, que nem o Mobral, criado há 40 anos quando resolveu. Muitas outras iniciativas discursivas também não solucionaram. Deveriam estabelecer metas claras, plausíveis e tentar cumpri-las. Cada prefeito tem um secretario e uma equipe de educação para isso. Mas a maioria já deve estar arquitetando quem vai ser castigado com transferências absurdas para locais distantes e nenhuma medida de como qualificar os professores para melhorar a qualidade do ensino. Colocar computadores públicos em todos os bairros e vilas.
Sem projetos mirabolantes, deveriam criar políticas de arborização das cidades, vilarejos, e até alguns trechos das zonas rurais. Em especial as encostas das auto-estradas e dos corredores entre o espaço das cercas e o trilha por onde as pessoas passam. Distribuiriam as mudas adequadas aos solos e aos locais e cada proprietário ficaria encarregado de zelar e proteger as árvores.Na área da saúde, toda prefeitura deveria contratar ao menos um urologista, um ginecologista para exames preliminares, que desafogariam os centros médicos das cidades maiores. Convênios deveriam ser firmados entre cidades pequenas e grandes para que estas arcassem com o tratamento, sob pagamento das cidades pequenas. Pequenos postos de atendimento deveriam ser instalados nos vilarejos, com ambulância disponível para transportar as emergencias. Não permitir a utilização delas para subir e descer com diretores e funcionários. Muitas são mais usadas para isso. Contratar dentistas para orientação de cuidados preventivos.
Informar moradores e comerciantes sobre a obrigação, ao menos social, de manterem calçadas e meios-fios limpos. Às escolas, que orientassem os alunos sobre atos do dia-a-dia, como o respeito às regras de trânsito, alimentação adequada, tomar líquido suficiente, antes que se tenha sede.Instituir oficialmente torneios de esportes diversos. Alguns com abrangência hierárquica a partir das escolas, dos bairros, das vilas e distritos, para se chegar ao nível municipal, com premiação simbólica e financeira. Torneios de vôlei, de natação em lagoas ou piscinas, de futebol, de dama e de xadrez e outros. Tudo de forma simples e prática. E o cidadão cobrar, exigir, educar-se e não permitir o desvio de verbas e do nepotismo, práticas muito mais comuns do que as sugeridas neste texto.
“Minha querida Bragança – A Pérola do Caeté”
Crônicas & Opiniões Fonte: Maurício Martins ( jmauric@click21.com.br ) :: 02/01/2009
Bragança, a princesa da Zona Bragantina, cidade banhada pelo rio Caeté, encanta por sua arquitetura, pela restaurada orla do cais do porto, pelas suas igrejas barrocas (São Benedito e Matriz), mas, sobretudo pela hospitalidade de seu povo e em dezembro, mês de festas, no arraial da Marujada e curtição com os amigos na praia de Ajuruteua, uma viagem inesquecível pelas suas pontes de madeira e curvas sobre o manguezal de caranguejo e guaxinins, ou um banho gelado no rio do Santino no Camutá, onde se faz a melhor farinha d´gua do Pará.
Quem pode viajar até Bragança, curte as várias opções de lazer, como: a tranqüilidade da bela praça da “Prefeitura” e seu coreto secular, nas caminhadas matinais tomando aquela água de coco e depois uma dose de cajuaçu no folclórico roxibar da tia Rosilda, um passeio no mercado de carne, comer tapioquinha molhada e mingau de milho, beiju, saborear aquele açaí com farinha de tapioca, além de conhecer o potencial das ervas afrosídiacas e cheiros da Amazônia.
Aos domingos participar da missa na Igreja Matriz, depois passear na feira em busca das frutas regionais como: Murici, cupuaçu, sapoti, groselha, taperebá, jambo, ingá, entre tantas outras, onde o turista pode adquirir peças do artesanato local, peças da arte marajoara, ou de antiquários e onde famílias inteiras confraternizam, saboreando as várias iguarias da culinária do Pará ou circulando pelas calçadas da praça em frente à centenária e majestosa escola Santa Terezinha, base do alicerce profissional de muitos jovens que entraram nas faculdades do Brasil afora. Conhecer as belas embarcações que navegam o majestoso rio Caeté, tendo ao fundo a musica mais genuinamente paraense, o xote, o retumbão, enfim a poesia bragantina na voz do Bibiú.
E foi neste cenário único que sonhei e voltei no tempo: tempo do cine Olímpia, do externato Santo Antonio, do ginásio Professor Paixão, do meu estimado clube de futebol Paroquial na vila sapo, do passarinhar as coleiras , os bigodes, os azulões,os caboclos lindos e curiós no barro preto, da estação do trem maria fumaça, da arena de mangueiras frondosas que abrigavam a “cavalhada”, com plantas de perfume suave, brinquedos e bancos confortáveis, com arvores frondosas a oferecer sombras que amenizem o calor do verão, onde casais enamorados se beijam no frescor de suas paixões juvenis, onde os pais ensinam os primeiros passos aos seus filhos, ou correm atrás daquela primeira bola chutada sem direção, mas que tem o poder da magia ao encantar pelo sorriso moleque o avô.
O primeiro abraço fraternal da menina com sua boneca de retalho de pano a brincar na sua inocência de “mamãe”, os adolescentes empinando suas pipas coloridas ou jogando uma partida de futebol, os mais velhos com seus tabuleiros de dama ou dando passe com suas pedras de dominó, passear na orla do rio respirando o frescor da brisa da Pérola do Caeté, sentindo os últimos raios do por do sol no meu rosto, andar de mãos dadas com meu amor, sem o temor de uma arma apontada para minha cabeça, mas acordo do sonho e vejo-me dando milho aos pombos, sinto vergonha da minha inércia, poderia ter votado melhor, poderia ter gritado mais alto, poderia ter visto ao meu redor, mas preferi ser cego, criando meu mundo virtual, achando tudo muito natural.
Mas sei que nunca é tarde para sonhar e acordar realizado, pois como já dizia o poeta Castro Alves, “a praça é do povo, como o céu é do condor” afinal, nos ensina o cantor “quem sabe faz a hora, não deixa acontecer”, pra frente e avante Bragança meu Amor.
Viva o Novo Ano - Feliz 2009
Crônicas & Opiniões Fonte: Madson Oliveira, Editor Correio :: 01/01/2009
Mais um ano acabou! Quando chega esta época, há um misto de sentimento. Por um lado, alegria por tudo que foi planejado e realizado durante o ano que passou. Por outro lado, tristeza e frustração pelas coisas não realizadas e pelas perdas que ocorrem durante o ano. Também existe aquela expectativa, ansiedade e incerteza sobre o que vai acontecer no novo ano.
Existem indagações, preocupações e indefinições. Para cada um de nós o futuro é uma incógnita, pois, ninguém honesto sabe dizer o que vai acontecer daqui a um minuto, daqui a uma hora, daqui a um ano. Será que vai ser melhor ou pior? Será que haverá guerras? Será que financeiramente vai haver alguma melhora? Será que os propósitos e alvos colocados para o novo ano serão alcançados? Aonde se quer chegar? O que se quer conquistar? Quais as lutas que serão enfrentadas? O que serão enfrentadas? O que fazer para ser um ano vitorioso?
Existem estas e muitas outras expectativas e preocupações. Mas será que ficarmos preocupados vai melhorar alguma coisa, ou só vai nos deixar doentes, estressados, irritados e briguentos? Temos sim que fazer a nossa parte para melhorar a nossa vida, melhorar a nossa sociedade, mas não podemos deixar que essas expectativas e preocupações tomem conta de nós.
A nossa confiança deve estar totalmente em Deus. Precisamos ter um relacionamento profundo com Ele - então podemos crer naquilo que Ele diz. Isto dá paz e tranquilidade ao nosso coração e forças para encarar o novo ano. Deus nos instruirá e nos ensinará o caminho que devemos seguir, pois Ele enxerga muito mais longe do que nós e sabe qual é o melhor caminho a seguir.
Precisamos apenas depender D´ele. Ele também nos dará o conselho certo, na hora certa - basta buscarmos esse conselho. E, por fim, a promessa de que Ele cuida de nós tranquiliza qualquer coração ansioso. Viva o novo ano na total dependência de Deus!.
DE VOLTA
Crônicas & Opiniões Fonte: Ronaldo Duran, escritor :: 30/12/2008
À mesa, uma ceia esplendida brilhava. Pernil, frango, arroz com uvas passas. Havia pratos outros, verdadeiras iguarias. Bebida farta. Nada para incentivar o alcoolismo, apenas com a intenção de regar a animação. Muitos risos. Uns contavam vantagens, outros lamentavam a má sorte. Crianças corriam, gritavam, choravam cá e lá. Algazarra. Adolescentes que apostavam quantos copos fariam a tia Tal chorar ou o tio Tal ficar vermelho e começar a brigar com o mundo? A atitude ridícula, mas fazia parte da ceia de natal. Ano houve sem baixaria. Não teve graça.Uma família brasileira. Quem a visse se animaria. Porém, se fosse um introspectivo, casmurro, solitário fechado provável a abominasse. O espectador, alojado no pequeno canto da sala de estar, é desses que conspira contra a alegria espontânea dentro do paraíso. Queria coisa diferente. Invejava colegas da empresa que puderam ir para Orlando, USA, ou Paris, ou para Búzios. Lugar badalado. Com gente fina e elegante. Circular em Nova Iorque, com neve caindo, tipo no filme Um Homem De Família, mas sem família, claro. Queria estar sozinho, com a namorada. Mas a namorada deixar a família na noite de natal? Impossível. Tudo bem. Iria sozinho se ela não quisesse acompanhar. Numa primeira classe para qualquer canto facilmente encontraria qualquer uma companhia à altura.
“Eh, menino, se achega para cá”, a avó lhe pede para largar o isolamento. Gostava da avó. Hoje, contudo, a estupidez incorporada na alma, restou apenas dizer um desaforo e servir-se de caipirinha. Tinha se enchido de cerveja e vinho, dando inveja ao estômago de um avestruz.Uma da manhã. A Missa do Galo ainda passava na TV e após mandar para dentro o delicioso champanha, ele resolveu dar uma volta no quarteirão. Tirou o carro da garagem. Circularia na cidade que o viu crescer e da qual só se afastou quando do tempo da faculdade. Se houve o acidente de carro, não é só para dizer que bebida e volante não combinam.O acidente nada teve de cinematográfico. Contudo fora violento. O rapaz socorrido pelo resgate foi levado ao hospital. Corria risco de morte? Não. As costelas quebradas, o nariz a refazer-se por intervenção cirúrgica lhe tomaria semanas no hospital e tantas horas fora em fisioterapia.Ainda que estivesse ébrio antes do impacto, pôde perceber o carro girar, o freio que se recusava obedecer e a frase involuntária me ferrei. Antes de bater na lateral do ônibus e ir chocar-se num poste, pediu “Deus, ajuda”. Passado o susto e sabendo-se vivo, cederia em poucos instantes a satisfação de estar existindo diante da frase tinha que acontecer comigo, que azar.
Noite do dia trinta e um. Olhava pela janela do hospital. Lá fora, os fogos se anunciando. Podia adivinhar a roupa branca, a gritaria dentro de casa, a TV exibindo um programa musical qualquer, o vinho, a cerva educadamente gelada, o tira-gosto. Animação. Desde pirralho, adorava a noite do dia 31 de dezembro. Mesmo na fase mais brava de sua vida, a animação vinha regada a vinho Sangue de Boi, rabanada e papo gostoso com a galera na rua, mas vinha. Agora, ganhando bem mais que os colegas de adolescência e bem-sucedido na profissão... Estava entrevado num leito hospitalar.
Que alegria teve quando a avó e a mãe entraram lá pela meia noite no quarto do hospital. Além do sorriso, elas traziam rabanada, castanha e muito afeto. Afeto que muitos dariam tudo para ter nesse momento, mas que não valorizaram quando tiveram a chance. “Ano que vem eu me remendo. Vou dar valor por estar de volta à vida. Juro”, disse para si. Tomara que não seja mera promessa de ano novo.
Tsunami de vereadores
Crônicas & Opiniões Fonte: Pedro Cardoso da Costa - Bel. Direito ( Interlagos/SP ) :: 22/12/2008
Tornou-se perigoso o fim de ano para a população brasileira. Época de festas, a sociedade se desliga um pouco mais do que já é, e aí o pessoal de Brasília se torna mais perniciosa à nação. Foi assim há dois anos quando quiseram se presentear com um aumento salarial abusivo. Ao contrário da comum passividade, a população reagiu e não permitiu.
São as reiteradas decisões absurdas que têm feito o já desmoralizado Congresso Nacional chafurdar na descrença da população. Parecem vadios que, ao primeiro descuido, causam estragos. Agora querem presentear o povo brasileiro com um tsunami de vereadores.Com a maior cara-de-pau, típica de malandros, alguns argumentam que não haverá aumento de despesas. Não há Matemática no mundo que possa efetuar operação que zere o valor de despesa com o aumento de oito mil cargos de vereadores. Ainda mais quando se sabe que não existe uma só Câmara que não pague valores salariais muito acima da realidade aos seus “edis”. Além disso, cada vereador tem carro, gasolina, assessores, funcionários comissionados e muito mais verbas para torrar o dinheiro público ao bel prazer, sem nenhum controle e somente para suas futilidades.
Incompreensível como pode um colegiado que tem por princípio básico representar o povo tornar-se seu principal algoz. Nem a tão decantada democracia tem auxiliado a mudar mentalidade tão tacanha de administrar um país para pequenos grupelhos, que perdura e destrói este país há séculos. O Congresso Nacional tem usado e abusado da democracia para justificar suas decisões indecentes que envergonhariam quaisquer ditaduras. Depois, a reação vem, a aí começam a dizer que não é assim que se resolve e passam a dar aula de comportamento. Por causa de abusos, em algumas cidades a população tem quebrado delegacias, fóruns e órgãos públicos.
Ao contrário de aumentar, se houvesse a extinção do cargo de vereador, sem substituição por outro similar, a sociedade brasileira só ganharia. Tudo que o vereador legisla já existe em leis estaduais ou federais. Além disso, a maioria das câmaras só serve para se vender à corrupção desenfreada dos prefeitos municipais.Como disse Caetano Veloso: “o Brasil vai melhorar porque eu quero”. Além de não aumentar o número de vereadores em nenhuma hipótese, é preciso diminuir o número excessivo de parlamentares. Trocá-los por qualidade. As despesas com câmaras municipais são o dinheiro mais desperdiçado da Administração Pública. Não dá para entender tanta passividade de todos diante de reiterados abusos do Congresso nacional.
Uma pérola para recordar
Crônicas & Opiniões Fonte: SANRONALD ( san.ronald@hotmail.com ) :: 20/12/2008
Tem gente que diz que já viu de tudo um pouco nessa vida, só não viu boi voar. Dina é uma dessas testemunhas oculares, cuja profissão pregou-lhe peças inesquecíveis guardadas com saudade no baú de recordação dos seus 10 anos como diretora da Escola Anjo da Guarda, localizada na periferia da cidade de Bom Pastor.Que parte de sua clientela estudantil não era flor que se cheirasse, todos sabiam, inclusive alguns membros de sua legião estudantil constavam na lista de ocorrência policial da delegacia da cidade.
Não era para menos, as noites de sexta-feira em sua escola eram sempre muito dinâmicas. A fumaceira que se formava no seu arredor era digna de uma boate Gótica. Ávidos por atividades extra-classe, seus alunos beleza, aplicavam-se com muito esmero em apetitosa erva maldita para o desespero de professores que percebiam a queima de neurônios, assustados. Com o acionamento da polícia militar, iniciava-se uma outra divertida atividade lúdica: aluno que corria para um lado, professor que tremia do outro. Era verdadeiro “gordurinha, gordurão vai saindo de montão”.Em meio a tanto joio uma pérola, para recordar: Haroldo.
Esguio de traços indígenas, ele ostentava em sua pele morena meia dúzia de tatuagens que aludiam aos anos pouco dourados vividos intensamente na plenitude de sua Juventude rebelde. De olhar arredio, semblante embriagado, tinha sempre uma boa idéia, mas nunca levado a sério pelos colegas e professores de classe. Para alguns não passava de um turista. Para outros um arruaceiro da ordem escolar. Sua presença era garantia certa de encrenca. No entanto, a contragosto eram obrigados a admitirem que em termos de médias escolares, Haroldo, era um aluno nota 10._”Como pode?” Perguntavam._”Não é possível!” Argumentavam!Dina admitia que a presença de Haroldo na escola por vezes se tornou uma espécie “de corre que a policia vem ai”. Mas nada que ofuscasse sua inteligência, a não ser o disparate pedagógico de alguns colegas de profissão, que insistiam em exorcizá-lo sempre que a canalizava para o mal.Numa bela noite de segunda-feira, o bad boy chegou decidido a literalmente chutar o pau da escola. Embriagado e nervoso sentou-se propositalmente no pedestal ao pé do mastro em que eram hasteadas as bandeiras, acendeu um cigarro de carteira, e passou a dar pontapé no mundo de escolares a sua volta. Com o barraco armado só restava o óbvio: chamar a polícia.
A diretora dessa vez movida por um instinto materno resolveu contrariar a todos. Aproximando-se do garoto, sentou-se a seu lado e perguntou baixinho no seu ouvido: “O que se passa meu filho? Porque estás assim?” A resposta veio em forma de lágrimas, muitas lágrimas. Aproveitando o raro momento, a mulher exaltou sua juventude, simpatia e inteligência, e em seguida segurando-lhe pela mão, convidou-o até sua modesta sala, onde conversaram amistosamente. Depois, pediu-lhe que fosse para a sala de aula, pois o ano letivo estava findando e queria vê-lo aprovado, promovido em todas as disciplinas, como sempre havia feito nos últimos três anos.
A divulgação do resultado da 4ª avaliação confirmou a expectativa da Diretora, Haroldo havia passado em promoção em quase todas as matérias, exceto em História. Também pudera, o bad boy havia faltado ao teste da bendita disciplina por encontrar-se preso a sete chaves na carceragem da delegacia da cidade, por arruaça e quebra-quebra. De lá só sairia quando pagasse o último vintém pelos danos causados a terceiros. Não tendo com que pagar permanecia na cadeia vendo o sol nascer quadrado.Iluminada, a diretora Dina teve uma idéia redonda: passar o teste de história para Haroldo no próprio xadrez. O delegado local se opôs terminantemente. Decidida a passar por cima do cadáver da autoridade policial, conseguiu uma autorização judicial e o teste foi aplicado com sucesso. Após a correção foi lhe dado o conceito 8,5, o seu passaporte definitivo para o ensino médio. Meses depois recebeu seu Certificado de conclusão do ensino fundamental na educação de jovens e adultos, dizendo-se decidido a mudar de atitude e de cidade. Desde então nada se soube sobre o seu paradeiro.
Anos mais tarde a Diretora Dina, já aposentada, passeava distraidamente pelo Complexo Ver-o-Peso, cartão postal da capital do Grão-Pará, quando foi surpreendida por uma saudação nada convencional, mas um tanto familiar: _”Fala minha diretora!” Virando-se bruscamente, seus olhos foram ao encontro do rosto iluminado de um jovem sorridente que gentilmente veio ao até ela e deu-lhe um forte abraço, em seguida gritando para um grupo de amigos universitários: _“Essa é a minha querida diretora!
”Era ele o inesquecível Haroldo. O agora acadêmico do curso de Ciências Sociais estava ali no coração de Belém, pesquisando sobre a representação social de jovens usuários de drogas.Em meio às lágrimas de felicidade, Dina, despediu-se emocionada de um grande tesouro, uma jóia rara que só o amor foi capaz de lapidar: uma pérola de gente chamado Haroldo.
O Namorado
Crônicas & Opiniões Fonte: Ronaldo Duran ( ronaldo@ronaldoduran.com ) :: 16/12/2008
Nada é tão desejado quanto estar namorando uma menina que faz meu coração bater mais forte. Parece ser a composição do hino nacional, na qual a palavra Brasil cede espaço para o nome de minha namorada. Ela é mais florida, é quem tem o sorriso mais límpido. E a satisfação quando eu me vejo deitado em seus braços esplendidos, saboreando os formosos lábios? Certamente indescritível. Quando estou namorando, as aulas de literatura brasileira, principalmente a de poetas românticos, ficam mais vivas.O coração dispara quando a vejo. Ela chega perto de mim, e minhas pernas ficam bambas. Basta eu tocar meus lábios nos seus, pronto, pega fogo todo meu corpo, e se ela não me regular, sou capaz de fazer loucuras.
Tudo que ela me fala cai certinho. Temos muitos planos juntos. Adoro o inverno, pois tenho o corpo dela para aquecer o meu. Amo de paixão o verão, para ver as pernas, o bumbum nos shortinhos que ela costuma vestir. E a camisetinha com as pontas dos deliciosos seios apontando para mim.À tardinha, vamos dar uma volta na praça do bairro. Sentados em banco de pedra, ela me sorri, me conta coisas trivialmente importantes. Prefiro quando estamos a sóis, escondidos. Mas vendo seu sorriso no rostinho iluminado pelo pôr do sol, fico satisfeito. Mais satisfeito ainda quando ela vai comprar um sorvete e passa desfilando pela calçada. Outros olhos gulosos ficam com a boca cheia d’água. Eu sei que é cretinice, mas que fazer, gosto de ver minha gata cobiçada. Os olhares a ela só valorizam meu ego. Claro, desde que não haja baixaria, tipo querer passar a mão, ou cantadas grosseiras. Daí, corro o risco até de apanhar, pois só em pensar que ela pode sofrer alguma agressão meu corpo treme, e quando vejo estou avançando no malandro.
Sabe aquele papo de que amor não enche barriga. Pois enche sim. Só não enche a barriga de quem não ama. Eu sempre sou reclamão quando fico com pouca grana para ir me divertir nos bailes, nas baladas. Mas basta estar com a namorada que me alucina, para o dinheiro significar bem pouco. Se tiver uns trocados para um sorvete, legal, se não, também está valendo.À noitinha, juntinhos, debaixo de uma árvore, no quintal ou na laje da minha casa ou da dela. Legal ver as estrelas no céu ou as do brilho do seu olhar. Os lábios mais sedosos, os seios mais firmes e saborosos, a pele mais cheirosa. Dureza é ter que ir para casa neste estado, e precisar trocar de cueca ou aliviar no banheiro. Nas primeiras vezes eu encanava. Entendo: somos animais. É a biologia que nos limita. O que resta a fazer? Aproveitar o prazer e ir driblando o inconveniente.Estamos de férias da escola. Sobra mais tempo para namorar, visto que amanhã de manhã ela não vai para o colégio e eu, que estudo à noite, posso estar ao lado dela. Decerto que férias mesmo eu não tenho, pois estou estudando para entrar na AMAM. Estou empenhado em ser oficial do Exército. Um pouco serve como estímulo aos meus pais que me permitem estudar o dia inteiro. Não fosse por isso, eu já teria arrumado um trabalho durante a semana. Eu trabalhava nos fins de semana num clube na zona sul, mas larguei depois de uma briga com ela. O serviço me exigia ausência justamente nos fins de semana. Ela me falou de sua solidão, escondendo a insegurança.
Ela e seus planos. Sou todo ouvido. Minha primeira namorada séria, que me assumiu. As outras só queriam zoar, me beijar, abraçar, abusar de mim. As garotas cariocas são cruéis quando querem. Talvez por isso que eu continuo apaixonado como se fosse nosso primeiro dia de namoro.
Um basta ao "mais ou menos"
Crônicas & Opiniões Fonte: Pedro Cardoso da Costa ( pcardosodacosta@yahoo.com.br ) :: 08/12/2008
Dizer que cada povo tem seus vícios e suas virtudes seria redundância e serve apenas como introdução. Faz parte da nossa cultura a busca de solução apenas por meio do “outro”. O outro é quem suja as ruas, é quem dirige mal, é quem não respeita as regras. Sempre, sempre, os “outros”. Mais um vício é fazer algo mal feito, ou incompleto ou não se informar de como as coisas funcionam antes de começar a fazer. Começa-se e depois vê como deveria ser feito.
Na maioria dos textos os dias da semana são escritos sem a “feira”. Escreve-se segunda, e não segunda-feira. Placas ficam sem as letras quando caem ou se apagam. Os condomínios têm segurança e a carteirinha seria para identificar os moradores. Pois a maioria das discussões com porteiros ocorre porque os moradores não se identificam. Uns por terem o rei na barriga e outros pelo gosto de ser desagradáveis. As setas indicativas de sair e entrar, subir e descer servem exatamente para se fazer o contrário.
Também ninguém preenche formulários antecipadamente, nem bilhete de passagem. Outra quase unanimidade é não se informar sobre o horário de funcionamento e a documentação necessária para determinadas coisas.Vantagem indevida parece ser melhor do que uma merecida. Não se respeita a ordem em filas. Quando não fica fisicamente, com a maior desfaçatez, passa o serviço para alguém, como se isso fizesse diferença. O que seria apenas o respeito ao direito de quem chegou primeiro, torna-se uma demonstração “virtuosa” de ser esperto.Atrapalhar ou dificultar faz parte dessa mania deletéria de ser inconseqüente. Nos bancos é comum a divisão de serviço por caixa. Incompreensível, mas existe. Aí, o cidadão tem mil caixas onde pode fazer pagamento de suas cem contas, tirar extrato, saldo, mas ele prefere fazer todas essas operações nos poucos caixas de saque. Nas catracas costumam se formar filas à espera daquela mal-amada que fica meia hora retirando o bilhete de várias bolsas.Corredores exclusivos de ônibus se tornaram dos carros. Além de outras ações mal educadas no dia-a-dia. O cocô do cachorro na rua. Desrespeito à preferência de idosos e especiais e às regras em geral. Quase todos cometem esses equívocos, ou para se mostrar esperto perante os pares, ou por ser apenas mal educado e desrespeitoso.
Enquanto se cobra ética dos administradores e dos políticos, cometem-se inconseqüências diariamente. A melhoria viria com uma decisão pessoal de se policiar e passar a respeitar o direito dos outros de forma natural. Cobrar das autoridades que punam a quem desrespeitasse os seus direitos. Só existe conduta certa ou errada. Isso deve ficar muito claro. O mais ou menos foi criado pela mania nacional da condescendência das pessoas e a omissão irresponsável e permanente das autoridades.
Tragédia anunciada
Crônicas & Opiniões Fonte: Pedro Cardoso da Costa ( pcardosodacosta@yahoo.com.br ) :: 29/11/2008
Só Deus! Essa expressão é muito utilizada quando uma pessoa se sente impotente diante de um fato dramático ou injusto. Vale para as duas catástrofes de Santa Catarina. A das chuvas, que competiria somente a Ele; e a da cobertura da mídia, que não coloca nenhum ponto para discussão sobre as responsabilidades pelas mortes. Chuva não deve ser encarada como sinônimo natural de morte nunca! Nem mesmo no Brasil, aonde tudo pode.
Quando se constroem casas em locais inadequados e são levadas pelas enxurradas, algum órgão seria responsável por impedir, já que a maioria é construída em áreas públicas. Mesmo uma construção em imóvel particular tem que respeitar todas as normas legais de segurança. Autoridades atuais culpam as anteriores que deixaram construir, mas não se apercebem de que agora deveriam retirar as pessoas das áreas de risco. O argumento vulgar de que não é fácil não pode caber aos órgãos e servidores públicos, sob pena de responsabilização civil e penal, conforme cada caso. Quem tem por dever agir, somente deve agir de acordo com sua obrigação. O fácil ou difícil fica para o campo de análise subjetiva. A responsabilidade do Estado é objetiva.
Grande parte dos órgãos de comunicação enviou jornalistas para cobertura da tragédia. Eles narram com vozes pausadas. Muitos devem chorar de verdade; outros pela audiência. Pessoas desesperadas são imagens mais comuns. A solidariedade do povo brasileiro é sempre enaltecida. Tudo certo. Só que, numa cobertura de alguma atividade esportiva, sempre levam “especialistas” de cada modalidade para comentar. Neste caso, nenhum veículo de comunicação consultou um geólogo, engenheiro civil, arquiteto, sobre o tipo e a estrutura das casas para determinado solo; sobre a distância dessas casas das eventuais correntezas e encostas, sobre orientação prévia de como agir em casos de chuvas intensas. Nada, absolutamente nada, se fala sobre isso.Fica clara a omissão quando dinamitaram uma pedra gigante para desobstruir uma estrada. A pergunta óbvia, lógica, cristalina, seria indagar porque a pedra não fora dinamitada antes de causar prejuízo a milhares de pessoas. A resposta é tão óbvia quanto à pergunta. Cada um dá a sua em particular.
Já falaram que o apagão de energia elétrica fora obra da imprevisibilidade. Para as chuvas esse argumento não serve; mas com certeza vão dizer que choveu acima do previsto. A imprensa brasileira precisa cobrir certos fatos com mais tecnicidade, com maior senso crítico, com maior razão e menos emoção. Ela ajudaria na formação de um senso mais crítico e aguçado nas pessoas. Pela cobertura da mídia em Santa Catarina passa a certeza de que as mortes são inevitáveis. Mesmo mais de uma centena de pessoas mortas não foram capazes de merecer a crítica contumaz em editorial. Definitivamente, “nada ocorre por acaso”.
O.V.I - por ronaldo duran*
Crônicas & Opiniões Fonte: Ronaldo Duran ( ronaldo@ronaldoduran.com ) :: 25/11/2008
O que é que eu vou fazer? Ficar em silêncio? Na verdade, foi uma bela experiência. Tive sorte que me deixaram são e salvo, a três quarteirões de casa. Queriam me indenizar pela semana maravilhosa que passei. E sem fingir desprendimento de bens materiais, apenas comentei que se para uma viagem bacana como esta recebêssemos cachê, imagina o que aconteceria aos fracassados pacotes turísticos que certas agências nos propõem?Quando lá em cima, cheguei a pensar que nunca me soltariam. Fiquei chateado. Afinal o novo assusta. Já pensou jamais voltar a ver meus filhos? A mãe deles pouco interessa. Agarrou-se a outro, e quando me sorri é para dizer que a pensão caiu. Não a culpo; ao contrário, valorizo o cuidado com as crianças. Tá, nunca fui um pai de mimar. Mas cada um tem seu jeito de expressar amor. Eu os amo muito.
Que arranquei de vantagem? Ora, as férias do serviço. Há mais de três anos que não tiro férias, sequer quinze dias de folga. Quando muito o período de natal e ano novo. Certa vez consegui me livrar vinte dias, mas os telefones e as demandas eram tais que praticamente trabalhei em casa para a empresa.
Como os ovis me acharam? Eu estava no tranqüilo congestionamento na Marginal Pinheiros. Chegaria atrasado, e teria que ficar até duas ou três horas a mais na empresa, por causa do balancete. O carro sem ar condicionado. Porém, por receio dos vendedores ambulantes e medo dos assaltantes motoqueiros, eu mantinha fechados os vidros com filme. De repente, uma pista que passava por cima dos carros surgiu a minha frente. Tentei desviar, mas o carro já não me obedecia. Quando vi estava sendo conduzindo pelas nuvens. A estrada levava para uma imensa nave. E apaguei.
Quando acordei estava lá sendo interrogado, melhor, convidado a falar sobre meu estado. Ofereceram-me um café com leite e um pão na chapa, pode? Vai ver vasculharam a mania que tenho de passar religiosamente numa padaria que fica a duas quadras da empresa lá pelas dez horas da manhã.Que receptividade. Nada muito exagerado em termo de conforto. Algo que a classe média paulistana está acostumada. Com exceção do respeito, do sorriso gostoso, da gentileza, do amor pela vida, da espontaneidade que quase inexiste nos amarelados sorrisos dos comerciantes e clientes paulistas.
E eu que sempre fui meio ateu, teria eu tido a boa sorte de ter morrido no trânsito na Marginal Pinheiros e conseguido um cantinho no paraíso?
Infelizmente descobri que não. Que se tratava apenas de extraterrestres esquadrinhando o nosso planeta. Se eu morasse em outra cidade que não fosse São Paulo, eu ficaria apavorado. Mas vendo assalto, estupro, fila de INSS, político-ladrão e empresas corruptas, nada me assustava mais. Aliás, temo que o efeito fora inverso. Questionado dos meus hábitos, do relacionamento com meus pares, como era o trabalho, a comunidade que me rodeava, assisti em suas fisionomia tristes decepções. Éramos superiores ou inferiores demais para o que estavam procurando? Não me disseram. Eram ovis diplomatas; no mínimo, educados. Abortaram a missão, me deixaram e foram embora, talvez para outra galáxia.
O Marketing dos Livros
Crônicas & Opiniões Fonte: Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor) :: 25 de novembro de 2008
Vocês lembram das “paradas de sucesso” no rádio, na televisão, as listas de discos mais vendidos e executados em revistas e jornais, anos atrás? Pois é. Alguns discos acabavam vendendo porque estavam nos primeiros lugares, pela sugestão da mídia, por martelarem tanto no rádio e na TV. A super-exposição acabava fazendo com que nos surpreendêssemos cantando músicas que, de princípio, não gostávamos. Nem sempre era verdade que o disco era o mais vendido, mas aparecia em boa colocação (alguém “talvez” pagasse para que ele aparecesse nos primeiros lugares), justamente para induzir a venda.
Um fenômeno parecido acontece com os livros. E com os filmes, também. Tudo o que é “campeão de bilheteria” nos Estados Unidos passa a ser sucesso também aqui. E até o que não se deu bem lá fora, com uma boa campanha, faz sucesso aqui, nem que seja em vídeo.Numa matéria sobre mercado editorial de um grande jornal, leio que as grandes livrarias cobram pelo destaque que é dado a alguns livros nas prateleiras que se constituem em espaço “nobre” em relação ao leitor que entra nela. A máxima “quem é visto é lembrado” aqui funciona como uma boa ferramenta de marketing, pois quem vai à livraria sem saber de antemão o que vai comprar, vai acatar as dicas que estiverem mais visíveis, com certeza. E os livros acabam vendendo, justificando a despesa da editora que pagou uma taxa à livraria para que o livro ficasse no caminho do leitor.As editoras pagam taxas, também, para expor títulos seus em lugares de destaque nos sites das livrarias virtuais, pois a venda de livros on-line é uma realidade no Brasil.
Aí emerge a questão da qualidade da obra. Já aconteceu a você, leitor, de comprar um livro influenciado por propaganda, por estar semanas entre os mais vendidos, por estar exposto em lugar privilegiado na livraria que freqüenta e, depois de começar a lê-lo descobrir que ele não é aquela obra-prima alardeada aos quatro ventos? Só que então o livro já foi comprado e, mesmo que você não o leia, vai engordar as estatísticas dos mais vendidos.
Campanhas caras e eficientes são feitas, principalmente para os livros importados, que já vêm com o material de divulgação atrelado à obra. E um produto bem promovido e com apresentação impecável vende. É claro que o livro não é um produto qualquer, pois você compra apenas um. Se fosse como um produto comum de consumo continuado, compraríamos um e, verificando que por trás da boa aparência não existe qualidade, não compraríamos mais. Mas livro a gente só compra um. Se o conteúdo não for bom, se não conseguirmos lê-lo todo, não há como devolver, ele já estará aumentando a quantidade de exemplares vendidos, conferindo-lhe um sucesso que nem sempre é real.A gente aprende, com o tempo, a procurar saber alguma coisa sobre a obra antes de comprá-la, mas muitos são induzidos a adquirir títulos que farão com que se sintam frustrados, ao lê-los. Há quem compre o livro para ler apenas o prefácio e a orelha, para poder dizer que leu, mas isso é outra história.Luta-se pela divulgação e distribuição do escritor regional, sem sucesso, enquanto campanhas milionárias, inclusive encarecendo o preço final do livro para o leitor, são feitas para obras que, às vezes, ou vendem-se por si só, porque são boas, ou não merecem todo o aparato em volta delas.Gostar de ler é, também, saber escolher.
